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De James Brown ao 'Rap das armas', veja a linha do tempo do funk carioca

Da "Melô da mulher feia" do MC Abdulah às
mulheres-fruta, o funk carioca comemora 20 anos de existência em
2009. Seu marco zero é o disco “Funk Brasil”, de 1989, produzido
pelo DJ Marlboro. A coletânea tinha o primeiro funk carioca
gravado, a “Melô da mulher feia”, cantada pelo Mc Abdulah, além
de faixas como “Melô do bêbado” e “Rap das aranhas”.




Ouça
a Rádio do Galerão do GloboRadio, só com sucessos do funk





O disco vendeu 250 mil cópias e o funk saiu das
comunidades para conquistar o resto do Rio de Janeiro e do
Brasil. Por dois anos (em 1995 e em 2001) foi o ritmo do verão
por excelência, conquistando as rádios de norte a sul do
território nacional.


Em 2005, começou a ensaiar a invasão no exterior,
com M.I.A. e os curitibanos do Bonde do Rolê, e em 2009 o
gênero, muitas vezes discriminado, tem
a chance de virar oficialmente um movimento cultural
,
com lei e tudo. Uma história movimentada e impressionante para
um ritmo com apenas vinte anos de idade. Confira abaixo a linha
do tempo do funk carioca elaborada pelo G1 com base nos livros
"Batidão" e "O mundo funk carioca" e entenda
um pouco dessa história.














































































Divulgação/Divulgação






Anos 60: James Brown inventa o
funk com músicas como "Please, please,
please", transformando o soul em um gênero
dançante e frenético, que vai influenciar a
criação da discoteca e da música eletrônica
durante as próximas décadas.




Divulgação  /Divulgação






Anos 70: Em São Paulo, equipes
como a Chic Show montavam bailes de música black
(funk e soul, especialmente) pela periferia. No
Rio de Janeiro o movimento ganhou um nome: Black
Rio, que chegou a virar nome de banda. O
movimento também contava com artistas como Tim
Maia, Cassiano, Gerson King Combo e outros
bambas. Equipes de som criadas na época, como a
Furacão 2000 e a Cashbox seguiriam nas décadas
seguintes dentro do funk carioca.





Divulgação  /Divulgação





1982: Afrika Bambaataa inventa
o electro com “Planet rock”, misturando a batida
seca e grave da bateria eletrônica TR-808 com um
sample de “Trans-Europe Express”, dos alemães
eletrônicos do Kraftwerk. O ritmo vai inspirar o
miami bass e também o funk carioca.




divulgação /Divulgação






Anos 80: As “melôs” viram
lugar-comum nos bailes do Rio – “You talk too
much”, do Run DMC, vira “Taca tomate”, por
exemplo. Na Flórida é criado o miami bass,
estilo de rap com uma forte batida grave, e
grupos com letras de duplo sentido como o 2Live Crew





Divulgação  /Divulgação.





1989 : MC Abdullah grava o
primeiro funk carioca – “Melô da mulher feia”,
sobre a base de “Do wah diddy”, da 2Live Crew. A
música é a primeira gravada para a coletânea
“Funk Brasil”, produzida pelo DJ Marlboro, marco
inicial do funk carioca, que ainda tinha a “Melô
do bêbado” e o “Rap das aranhas”.





Divulgação  /Divulgação





1990: MC Batata faz o primeiro
funk a ser conhecido em rede nacional: “Feira de
Acari” foi trilha sonora da novela “Barriga de
aluguel”. A letra tinha trechos como “Ele disse
que na feira/ Pelo preço de um bujão/ Eu
comprava a geladeira/ As panelas e o fogão/ Tudo
isso tu encontra/ Numa rua logo ali/ É molinho
de achar/ É lá na feira de Acari”.




Divulgação  /Divulgação






1992: O “Rap do Pirão”,
homenagem do MC D’Eddy à turma do Mutuapira e do
Boa Vista inaugura a era dos raps de galera. Já
a cantora Fernanda Abreu (ex-Blitz) aparece com
a faixa “Rio 40 graus” em seu novo álbum, “SLA 2
be sample”, inspirada no funk carioca.





Divulgação/Divulgação





1994: A apresentadora Xuxa
pavimenta o estouro do funk em rede nacional com
o segmento “Xuxa hits”, no seu programa “Xuxa
park”. Entre os sucessos apresentados lá estava
o funk melody (ou charm) “Me leva”, de Latino.





Divulgação /Divulgação





1995: O “Rap da felicidade” de
Cidinho e Doca vira hit nacional, arrancando
elogios até de Caetano Veloso. A primeira onda
nacional do funk ainda conta com Claudinho e
Buchecha (com o melody “Conquista”), Junior e
Leonardo (com a primeira versão do futuro
proibidão “Rap das armas”) e William e Duda (de
“A de abalô”). Os últimos ainda gravaram com
Lulu Santos, que levava o funk para o pop rock
no disco “Eu e Memê, Memê e eu”.




Divulgação  /Divulgação






1997 - 2000: Enquanto o sucesso
do funk esfriava no resto do Brasil, o MC Maluco
aparecia com “Ah! Eu tô maluco!”, surgido de
improviso em um baile. Durante essa época,
começaram a ocorrer os “corredores”, onde os
frequentadores se enfrentavam com pancadas.
Durante essa época, muitos bailes foram fechados
e alguns promotores de festas chegaram a ser
presos. Ao mesmo tempo, grupos de rock como Funk
Fuckers e Comunidade Nin-Jitsu começavam a
flertar com o ritmo.





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2001: A segunda onda do funk
carioca começou em 2001 e consolidou o gênero no
país – começando com “Cerol na mão” (além de
“Tchutchuca” e “O baile todo”), sucesso do Bonde
do Tigrão. Outros hits foram “Tapinha”, da MC
Beth e do Mc Naldinho e “Planeta dominado”, do
SD Boyz, enquanto Kelly Key aproximava o funk do
pop com “Baba”. Misturando funk e rock, as
guitarras de “Popozuda rock ‘n’ roll” dos
gaúchos do De Falla também dominaram as rádios.





Divulgação  /Divulgação





2002 - 2003: A desbocada Tati
Quebra-Barraco surge com hits como “Montagem
pidona”, “M<ontagem assanhadinha” e com o
trocadilho “Dako”, entre outros. Outro grande
personagem do funk é Mr. Catra, de sucessos como
“Mercenária” e “Cadê o isqueiro”. Serginho e
Lacraia vieram com outro arrasa-quarteirão,
“Eguinha Pocotó”, mantendo o funk em alta após o
auge de 2001.




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2004 - 2007: A música “Bucky
done gun”, sampleando “Injeção” de Deize
Tigrona, começa a invasão do funk pelo mundo.
Lançada pela cingalesa M.I.A. e produzida pelo
DJ norte-americano Diplo, a música abriu espaço
para gente como o Bonde do Rolê, grupo
curitibano de classe média que chegou a lançar
disco na Inglaterra com músicas como “Gasolina”
e “Solta o frango”.





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2008 - 2009: Com o sucesso do
“Créu” e sua garota-propaganda, a Mulher
Melancia, o funk criou a era das mulheres-fruta.
Ao mesmo tempo, DJs como Sanny Pitbull tocam no
exterior e já defendem a existência de um
pós-funk, um funk carioca modernizado e
globalizado. Cidinho e Doca que o digam – sua
versão “proibidão” de “Rap das armas” (da trilha
sonora de “Tropa de elite”) virou hit na Suécia
e ganhou recentemente um remix kuduro, ritmo
conhecido informalmente como o “funk carioca de Angola”.





Posted by Klaylton Fernando on 12:44. Filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0

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