Hip-Hop - O novo disco dos Racionais MCs anda envolto em clima de mistério. Apenas a data de lançamento foi divulgada à imprensa (novembro), mas detalhes da produção como músicas de trabalho e quantidade de faixas estão sendo mantidos sob sigilo militar. A banda é considerada uma das que detém maior controle sobre sua obra no Brasil, que abrange desde equipamentos de gravação a prensagem de CDs.
"Ô zica, a fita é a seguinte: entra na praça à direita, depois pega a primeira à esquerda e, por último, à direita de novo. Tem de fazer um 'Z'. Vamos decidir a parada hoje. Qualquer coisa, me liga." O roteiro chega pelo celular. É noite abafada, começo de novembro, quando deixo a porta da Escola de Samba Pérola Negra, na Vila Madalena, em São Paulo, reduto contemporâneo da boemia paulistana, rumo a um bairro vizinho. Da outra ponta da linha chega mais uma senha: "É pique rua de periferia, tem casinhas humildes". Nos quase dez minutos para percorrer as ruas da área oeste de São Paulo, um flashback: a conversa cara a cara prestes a começar, na verdade, era o desfecho de um debate iniciado três anos antes.
Pedro Paulo se tornará quarentão em abril próximo. "Estou virando um tiozinho, mano." Antes de bater nos quatro ponto zero, ele surpreenderá novamente quem o escuta desde 1988, quando tinha 18 anos e entrou nos ouvidos de muitos brasileiros - por amor ou por ódio - com suas rimas. Pedro Paulo é Mano Brown, a mais importante, influente e respeitada personalidade do rap brasileiro, o piloto dos Racionais MC's, uma das vozes das periferias do país - posição rejeitada por ele, mesmo depois de ter guiado o único grupo nacional de rap capaz de vender 1,5 milhão de discos oficialmente no Brasil até hoje (sem contar outros cerca de quatro milhões na conta da pirataria). Mas aquele Mano Brown conhecido pelo Brasil "estava condenado a virar estátua, sem utilidade", como ele mesmo diz, na sua autodefinição.
Os sinais já estavam no ar, mas se intensificaram nas últimas semanas. O Racionais MC’s, mais importante e respeitado grupo de hip hop brasileiro, prepara-se para lançar um novo CD no qual deixa de lado, em algumas músicas, a temática de cunho social e a agressividade nas letras que sempre caracterizaram o grupo.
Além de canções sobre a “vida loka” dos jovens da periferia envolvidos com a miséria e o crime, celebrizadas em CDs como “Sobrevivendo no Inferno” e “1000 Trutas 1000 Tretas”, o grupo agora volta-se também para outros interesses e parceiros.
O sinal mais evidente desta guinada “pop” já circula no You Tube. Chama-se “Mulher Elétrica”. Bem-humorada, a letra da música contém trechos assim: “Ela é preta na cor loira no cabelo, ela é uma hora e meia em frente ao espelho. Ela é… Ela é Naomi, Ela é Clara, é Nunes, é Donna Summer, Rosa, é Sônia, Ela é Tereza, Ela é Ana, Ela é Glória, Ela é bem Brasil, me engana que eu gosto ela tem tristeza balança o swing rara beleza, Ela é…Onde vai…? Mulher Elétrica Mulher Elétrica 3000 volts”.
Como tudo que diz respeito a Mano Brown e os demais músicos do grupo, há muito segredo envolvido em seus novos movimentos. Uma das novidades – talvez a que venha causar mais surpresa para os fãs – é o rumor que Mano Brown estará na capa da revista “Rolling Stone”, cuja próxima edição chega às bancas no dia 10 de dezembro.
O editor-chefe da revista, Ricardo Cruz, diz não poder confirmar a informação, mas o Último Segundo ouviu de pessoas próximas aos Racionais que está tudo certo –as fotos, inclusive, já foram feitas.
Desde que surgiu à frente dos Racionais, no início dos anos 90, Mano Brown mantém o compromisso de não falar com a chamada grande imprensa. Oriundo do Capão Redondo, na zona Sul de São Paulo, o músico deu raras entrevistas nestes últimos 15 anos, normalmente apenas para veículos alternativos.
Outra novidade sobre Brown é a sua aproximação com a Banda Black Rio. O famoso grupo de funk e soul music, surgido na década de 70, retomou suas atividades no final dos anos 90, liderado por William Magalhães, filho do fundador da banda, Oberdan Magalhães.
Na última sexta-feira 20, Dia da Consciência Negra, Brown cantou quatro músicas no show que a Black Rio fez na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, dentro das atividades do Seminário Internacional da Cultura Digital, um evento destinado a discutir políticas públicas para a área da comunicação.
Acompanhado do rapper Dom Pixote, Brown cantou “O Jogo é Hoje”, música feita por encomenda para a Nike e utilizada na trilha da promoção “Batalha das Quadras”. Originalmente um campeonato de futsal para jovens, no Rio e em São Paulo, realizado em 2008, “Batalha nas Quadras” gerou um CD promocional, produzido pelo músico Ice Blue, dos Racionais, com a presença de vários jovens artistas do hip hop.
A primeira faixa, que dá nome ao disco, intitula-se justamente “O Jogo é Hoje”, e é uma parceria entre Brown (que assina “MB”) e Pixote. A música fala da ansiedade antes de uma partida de futebol, e é outro sinal de mudança de foco das preocupações de Brown e seus colegas dos Racionais.
Chamado de “presidente” por William Magalhães, Brown vestia uma vistosa camisa pólo da Nike, com o logo da empresa estampado no peito – modelo idêntico ao que Pixote usava. Estava bem-humorado, à vontade e simpático – outra novidade para quem já viu algum show dos Racionais.
O Último Segundo ouviu de fontes ligadas à promoção do show que a Nike teria interesse em adquirir os direitos de “O Jogo é Hoje” para utilizá-la em outras campanhas da marca, mas a empresa nega. A Nike “adoraria”, nas palavras de um executivo, ter relações com Mano Brown, “assim como com Gisele Bundchen” e outros formadores de opinião deste quilate.
Em 2007, durante entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Mano Brown travou um curioso diálogo com Ricardo Cruz, o editor da revista “Rolling Stone”, na qual reconhece que, para ele mesmo e para seus fãs, soa estranho utilizar roupas e tênis do fabricante americano.
Pergunta: Você conseguiu, Brown, fazer uma revolução interna no seu jeito de ser, de pensar? Você conseguiu lutar contra os seus, suas próprias contradições, seus próprios medos? Você consegue isso hoje?
Resposta: Na verdade, as contradições só acabam quando morre, né? Tipo, eu era um cara, hoje eu estou de Nike no pé, mas eu já xinguei a Nike muito por aí. Entendeu? Mas eu descobri também que a Adidas não me dá nada se ficar falando mal da Nike. Eu derrubo um e levanto a outra. A Adidas é dos alemães, não são nada. Estou de Nike, o KL Jay não usa Nike, vai ver o Nike que o Blue tá no pé? Entendeu? É contradição, Racionais é isso, é quatro caras, quatro mentes, quatro idéias, entendeu, meu? Eu sou o mais confuso dos quatro sou eu mesmo.
O grupo de RAP mais popular do Brasil virou assunto de trabalho de pós-doutorado em uma das maiores universidades brasileiras, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
O grupo de RAP mais popular do Brasil virou assunto de trabalho de pós-doutorado em uma das maiores universidades brasileiras, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
No dia 17 de setembro de 2009, aconteceu mais um Encontro dos pesquisadores do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ (pós-doc PACC). O professor Jorge Nascimento, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) apresentou sua tese de pós-doutorado “A fala e a bala, a ginga e a gíria: o RAP dos Racionais MC`s”. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar que buscou analisar as letras dos Racionais MC`s e contextualizar as análises poéticas com a recepção do RAP e seus desdobramentos éticos, estéticos, político-ideológicos e históricos.
O trabalho também procura relacionar o conteúdo dessas letras à contemporaneidade brasileira, como, por exemplo, a “segregação voluntária”, representada na figura dos condomínios de luxo onde a classe média e alta isolam-se. Outro ponto discutido pelo prof. Nascimento é a belicosidade das letras, expressas através de gíri as, e a distância que os Racionais MC’s têm em relação à grande mídia.
Fonte: UFRJ
O vereador paulistano Netinho de Paula (PCdoB), em conjunto com o Geledés - Instituto da Mulher Negra, promoveu, nesta quarta-feira (09/09), na Câmara Municipal de São Paulo, um seminário com o tema “Violência Racial e Juventude Negra”. Participaram do evento lideranças do movimento negro de todo o país e entidades ligadas aos direitos humanos, além do vereador Jamil Murad (PCdoB).
Informação geral
Novo CD do Racionais MCs deve sair em novembro
Presente de Natal para os fãs: o novo CD do Racionais deve sair em novembro. A obra é tratada pelo grupo e sua produção sob pacto de silêncio. Os fiéis seguidores estão carentes de gravações desde 1.000 Trutas, 1.000 Tretas, de 2006, ao vivo. O novo CD deverá ser o sexto em estúdio.
Faixas, nomes e até arte de capa CD são mantidos como segredos militares. O Racionais é provavelmente o grupo brasileiro com o maior controle sobre a própria obra, e inspirou outros artistas, tais como Marisa Monte, a lutar pela posse e soberania das chamadas matrizes das gravações. O que significa, literalmente, o artista como proprietário de sua obra.
Mas o Racionais vai ainda mais longe. Além de controlar absolutamente tudo que grava e usa, de equipamentos a matrizes, também controla prensagem e distribuição dos CDs. Além de abastecer algumas lojas oficiais, reza a lenda, também fazem questão de facilitar a chegada do CD ao mercado ambulante. E a um preço muito mais em conta do que qualquer major sonhou oferecer (eis, talvez, o porquê da morte lenta dessas arcaicas corporações).
Contra a maré das estrelas da música mundial, que usam cada vez mais a internet para divulgar o trabalho, fugir da pirataria e, principalmente, vender músicas via download, o novo Racionais sairá somente em CD, a princípio. O grupo também não tem site ou blog oficial.
Diário de um talento
A carreira da maior banda de rap e hip hop do Brasil começou no final dos anos 80, na periferia de São Paulo. Em meados dos anos 90, as letras já haviam se transformado em evangelho para milhões de jovens, e seu ritmo sincopado também se virou objeto de culto imitado e reproduzido por outro grupos Brasil afora.
Em 2007, durante a terceira Virada Cultural, uma apresentação na praça da Sé terminou em tumulto e pancadaria indiscriminada da PM sobre a plateia. Dezenas ficaram feridos e houve depredação de lojas, bancas e bens públicos.
Mesmo sem ter culpa alguma no incidente (vá lá, tiveram uma hora de atraso, mas esse não foi o motivo, pois o público brincava, cantava e dançava, à espera do show), sobrou para o Racionais apontado (pela polícia) como o vilão. O resultado foi a punição da Prefeitura de São Paulo, que nunca mais convidou a banda para apresentações, em prejuízo do público.
Além do trabalho no Racionais, Mano Brown também lança artistas todos os anos, tais como Rosana Bronks, UTime e Sabotage, além de manter e integrar o projeto Big Bang Johnson (que tem ainda Ice, Du Bronks Pixote, Sandrão e Helião, entre outros).
Mano deu raríssimas entrevistas até hoje. Quando solicitado, geralmente indica KL Jay, o DJ do grupo e artista mais acessível do clã.
Texto: Ricardo Feltrin (Colunista do UOL)
Fonte: Uol
Hip-Hop - O novo disco dos Racionais MCs anda envolto em clima de mistério. Apenas a data de lançamento foi divulgada à imprensa (novembro), mas detalhes da produção como músicas de trabalho e quantidade de faixas estão sendo mantidos sob sigilo militar. A banda é considerada uma das que detém maior controle sobre sua obra no Brasil, que abrange desde equipamentos de gravação a prensagem de CDs.
O grupo de rap Racionais MC's comemora os dez anos do lançamento de um dos seus maiores sucessos, o álbum 'Sobrevivendo no inferno'. A banda formada por Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue e KL Jay surgiu no bairro do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo e alcançava uma legião de fãs com suas letras sobre a rotina de violência na periferia de São Paulo.
Presente de Natal para os fãs: o novo CD do Racionais deve sair em novembro. A obra é tratada pelo grupo e sua produção sob pacto de silêncio. Os fiéis seguidores estão carentes de gravações desde 1.000 Trutas, 1.000 Tretas, de 2006, ao vivo. O novo CD deverá ser o sexto em estúdio.
Faixas, nomes e até arte de capa CD são mantidos como segredos militares. O Racionais é provavelmente o grupo brasileiro com o maior controle sobre a própria obra, e inspirou outros artistas, tais como Marisa Monte, a lutar pela posse e soberania das chamadas matrizes das gravações. O que significa, literalmente, o artista como proprietário de sua obra.
Mas o Racionais vai ainda mais longe. Além de controlar absolutamente tudo que grava e usa, de equipamentos a matrizes, também controla prensagem e distribuição dos CDs. Além de abastecer algumas lojas oficiais, reza a lenda, também fazem questão de facilitar a chegada do CD ao mercado ambulante. E a um preço muito mais em conta do que qualquer major sonhou oferecer (eis, talvez, o porquê da morte lenta dessas arcaicas corporações).
Contra a maré das estrelas da música mundial, que usam cada vez mais a internet para divulgar o trabalho, fugir da pirataria e, principalmente, vender músicas via download, o novo Racionais sairá somente em CD, a princípio. O grupo também não tem site ou blog oficial.
Diário de um talento
A carreira da maior banda de rap e hip hop do Brasil começou no final dos anos 80, na periferia de São Paulo. Em meados dos anos 90, as letras já haviam se transformado em evangelho para milhões de jovens, e seu ritmo sincopado também se virou objeto de culto imitado e reproduzido por outro grupos Brasil afora.
Em 2007, durante a terceira Virada Cultural, uma apresentação na praça da Sé terminou em tumulto e pancadaria indiscriminada da PM sobre a plateia. Dezenas ficaram feridos e houve depredação de lojas, bancas e bens públicos.
Mesmo sem ter culpa alguma no incidente (vá lá, tiveram uma hora de atraso, mas esse não foi o motivo, pois o público brincava, cantava e dançava, à espera do show), sobrou para o Racionais apontado (pela polícia) como o vilão. O resultado foi a punição da Prefeitura de São Paulo, que nunca mais convidou a banda para apresentações, em prejuízo do público.
Além do trabalho no Racionais, Mano Brown também lança artistas todos os anos, tais como Rosana Bronks, UTime e Sabotage, além de manter e integrar o projeto Big Bang Johnson (que tem ainda Ice, Du Bronks Pixote, Sandrão e Helião, entre outros).
Mano deu raríssimas entrevistas até hoje. Quando solicitado, geralmente indica KL Jay, o DJ do grupo e artista mais acessível do clã.
http://noticias.uol.com.br/ooops/ultnot/2009/08/27/ult2548u776.jhtm
Ricardo Feltrin
Colunista do UO
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Como este post é o de número 400 resolvir fazer-lo em homenagem a Mano Brown um dos maiores Rappers do Brasil, considerado por muitos o Poeta das Ruas.
O Poema abaixo foi escrito por Sérgio
Vaz, em homenagem à Mano Brown.
O Colecionador de pedras
Pedro
Nasceu em dia de chuva,
No ventre da tempestade.
Deus deu-lhe a vida
A mãe, luz a pele escura.
Dona Ana era jardineira
Plantava flores sobre pedras.
O pai, espinho de trepadeira,
Apenas doou o esperma.
Pedra preciosa
Foi recebido pelo destino
Com quatro pedras na mão.
A fome, de forma desonrosa
Transformou em homem, o menino
Que brincava com os pés no chão.
Por causa da pobreza,
A pedra do seu sapato,
Vendeu pedra de gelo
Com gosto de chocolate.
Humilde,
mas só se curvou de joelhos
quando foi engraxate.
Pedra lascada
Construiu edifícios,
Varreu ruas,
escreveu poemas.
Mestre sem nenhum ofício
Tornou-se pedregulho, no rim do sistema.
Rocha,
Onde a vida queria grão de areia,
O poeta canta sua dor
rima a dor alheia.
E sem deixar pedra sobre pedra
Do rancor, o amor ele sampleia.
Sérgio Vaz
Diego Salmen
- É louco o bagulho, arrepia na hora: Dimas, primeiro vida louca da história.
Enquanto mais de duas mil pessoas cantavam esses versos, o show dos Racionais MCs atingia seu ápice. Com ingressos esgotados, a apresentação foi realizada na noite deste sábado, 22, no Sesc Santo André, região metropolitana de São Paulo.
Além de "Vida Loka parte II", músicas como "Negro Drama", "Homem na Estrada", e "Da Ponte pra Cá" também foram cantadas em coro pela platéia.
Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay aproveitaram a ocasião para mostrar alguns sons que devem estar na próximo álbum do grupo, como "Dance, dance", "Tá na Chuva", "Mulher Elétrica"" e "O Inimigo é de Graça". Co-autor de algumas das novas faixas, o rapper Dom Pixote marcou presença.
A presença de músicas ainda desconhecidas, bem como o excesso de diálogos, esfriaram um pouco a cadência da apresentação. Nada comprometedor, porém: a desenvoltura de Brown e Ice Blue no palco, aliada à resposta da platéia, mantiveram a empolgação da noite.
Parêntese. "Capítulo 4, Versículo 3" não foi tocada. Fato lamentável, pois é a única canção do grupo cuja letra este repórter sabe do pé à cabeça. Fecha parêntese.
Descontraídos, os rappers da zona sul paulistana conversaram diversas vezes com a audiência e convidados. Futebol, mulheres, como se dar bem na vida. Não tardou para que a política viesse à tona. Assim declarou um bem-humorado Mano Brown:
- De 1994 pra cá, o que mudou? (...) Hoje o Lula é presidente, o presidente do povo. Se ele se candidatasse para um terceiro mandato, eu votaria nele de novo.
O mesmo público que ouvia atento o sermão dos Racionais chamava a atenção pela inesperada variedade de estilos, apesar da predominância de bonés retangulares e calças largas. Roqueiros, patricinhas - adolescentes e adultas-, indies, crianças e senhoras na faixa dos 40 anos também podiam ser facilmente encontrados. Prova de que o sucesso do grupo transcendeu as fronteiras do rap nacional.
A organização do show merece um aparte. Pontualidade, bebidas e alimentos a preços justos (cerveja a R$ 2,80, refrigerante a R$ 2,20), atendimento rápido, banheiros sem filas, espaço de sobra para os espectadores na pista.
Aspectos, vale dizer, raramente vistos em shows de qualquer espécie no país - e bem diferentes daqueles que marcaram a infame apresentação do grupo na Virada Cultural paulista em 2007.
Ao fim de exatas 1h55 de prosa ritmada, os Racionais deixaram o palco. Lá embaixo, os fãs começavam a se preparar para encarar doze graus de frio intenso. Pouco importava.
-... Faz frio em São Paulo, pra mim tá sempre bom. Eu tô na rua de bombeta e moletom...
Conseguir entrevista com os Racionais MCs nunca foi tarefa das mais fáceis. Referência do rap nacional, o grupo paulistano, que se apresenta hoje, às 20h, no Espaço de Eventos do Sesc Santo André, prefere manter distância de repórteres e fotógrafos.
Mas nem sempre é assim. Depois de muita insistência e tentativas frustradas, a produção dos músicos destacou o DJ KL Jay para falar sobre temas como carreira, discriminação racial e mazelas sociais brasileiras.
Esses assuntos inspiram clássicos que deverão integrar o repertório do show, como Diário de um Detento e O Homem na Estrada, responsáveis pela popularidade do quarteto, tão evidente que os ingressos para a apresentação esgotaram-se ontem à tarde. Entretanto, o grupo, que prepara álbum de inéditas com lançamento previsto para 2010 pelo próprio selo, o Cosa Nostra, não se preocupa com os números que medem a fama.
"Se pensasse assim, estaria preso a resultados. Fazemos nossa música do jeito que a gente acha que tem de fazer. Quem quiser nos seguir que siga", afirma KL Jay.
LONGE DA MÍDIA - O DJ explica o porquê de a banda preferir o relacionamento direto com o público e preservar o distanciamento em relação aos holofotes da mídia. "É uma opção nossa não aparecer. A gente põe a cara para bater, faz as músicas e lança em CD ou coloca na internet para qualquer um acessar, ouvir e tirar suas conclusões."
Ele não quis responder se essa postura teria relação com a cobertura feita pela imprensa do tumultuado show dos Racionais na edição de 2007 da Virada Cultural, na Capital, em que houve confronto entre fãs e policiais. Para explicitar seu posicionamento, KL Jay, que divide o palco com os rappers Mano Brown, Ice Blue e Edy Rock, fez analogia com o futebol.
"É a mesma coisa com o Ronaldo quando joga no Corinthians. A gente só espera que ele jogue bem. No Sesc Santo André, vamos tentar fazer um belo show para as pessoas que forem lá e só isso", explica.
RACISMO E VIOLÊNCIA - O DJ comentou o caso do vigilante negro espancado por seguranças em supermercado de Osasco, na Grande São Paulo. Na ocasião, a vítima tentou abrir o próprio carro e foi confundida com assaltante.
"Isso acontece toda hora em todos os lugares de São Paulo. No Brasil, essa questão (o combate à discriminação) ainda precisa melhorar muito, porque o racismo é disfarçado. Acredito que melhorou um pouco porque, se fosse antigamente, tinham atirado no rapaz. Não deixa de ser constrangedor".
Mano Brown, líder do grupo Racionais, em entrevista para o programa Roda Viva foi duramente criticado por muitos do movimento hip hop por declarações consideradas pela maioria extremamente contraditórias, o que o grupo Provérbio X particularmente acha um exagero, mas entende que realmente Mano Brown talvez não tenha se expressado como gostaria, mas o que mais chamou a atenção do PX foi que, quando Mano Brown disse que frequentava a Igreja Evangélica ele foi constrangido instantaneamente pelos repórteres, o repórter José Neumanne do Jornal da Tarde se apressou em generalizar dizendo: "O candomblé é uma "religião" que respeita as outras, enquanto os evangélicos são exatamente ao contrario ... " Isso sim foi uma contradição sem tamanho, além de ferir toda a ética profissional do jornalismo, como se não bastasse a perseguição covarde que os evangélicos sofrem pelos donos da Rede Globo de televisão que são do candomblé, somos obrigados a assistir mais uma vez a atos públicos de repressão desenfreada simplesmente porque um entrevistado manifestou uma fé diferente da fé de um repórter.
O rapper Mano Brown dos Racionais Mc`s é o destaque do Programa Evolução Hip-Hop deste sábado (18/07), que vai ao ar, às 17h, na Educadora FM 107.5 (BA). A entrevista que vai ao ar foi gravada em uma coletiva de imprensa a qual o Brown participou logo após que tocou no show em Brasília, no segundo dia da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), sexta-feira (26/06).
Na coletiva Brown falou de cotas raciais, educação, política, violência, disse ainda que a candidatura da ministra Dilma Rousseff, escolhida por Lula para a sucessão presidencial do ano que vem “é fraca e não ganha”. A rádio pode ser acompanhada também pela internet.
Brasília - Mano Brown e os Racionais foram a Brasília no segundo dia da Conferência da Igualdade Racial, sexta-feira (26/06), para um show que reuniu grandes nomes do Rap Nacional, como Happin Hood e Gog, rapper do Distrito Federal, um dos pioneiros do gênero no país. Leia Mais.
Gog, com letras fortes que tratam da luta dos negros por igualdade, fez uma homenagem ao Rei do Pop, Michael Jackson, morto esta semana em Los Angeles. Mano Brown e os Racionais foram os últimos a subir ao palco armado no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, antecedidos por Happin Hood.
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