Grupos de dança, música, teatro e autores de poesias foram protagonistas da mais recente edição do projeto Nosso Bairro, Nossa Gente, realizada na Escola Municipal Sidônia Nasser do Prado. Alunos de 26 escolas participaram da mostra de artes, promovida pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Teart's Produções.
Uma das apresentações que chamaram a atenção dos organizadores do evento foi a de um grupo de Break Dance. Adriano Florencio, um dos integrantes, explica que a modalidade assemelha-se à dança de rua, mas tem coreografia própria: "É um estilo livre, que vem da cultura de rua mesmo".
Florencio e Fábio Augusto Oliveira, outro adepto do Break, foram selecionados para participar da última e maior edição do projeto, que acontece no dia 12 de dezembro, no Centro. Segundo eles, agora a dedicação à dança vai ser maior: "Vamos ensaiar uma nova coreografia, mais elaborada, para fazer um bom show".
A mostra contou ainda com a declamação de poemas, apresentação da Escola Livre de Música e de diversas danças. As melhores performances serão apresentadas na finalização do Nosso Bairro, Nossa Gente, que reunirá os talentos de sete comunidades: Barreto, Mirante, Jordanópolis, Jardim Emília, Copaco, Jordanópolis e Centro.
Saldo positivo
De acordo com o secretário municipal da Educação, Juvenil dos Santos, embora tenha envolvido 26 escolas municipais, estaduais e particulares, a última edição do projeto teve a adesão de todas as unidades: "Isto significa um reconhecimento da importância desta ação para a valorização das habilidades e talentos dos alunos".
Para a diretora do Núcleo Pedagógico da Educação, Cristiani Freitas, os talentos da cidade estão todos dentro das escolas: "A valorização da cultura é parte fundamental do processo de desenvolvimento de projetos de vida. As crianças e adolescentes precisam deste espaço".
"Estou enlouquecido", brinca o diretor de teatro Hugo Rodas, sobre estrear dois espetáculos na mesma semana. O uruguaio de 70 anos, radicado em Brasília há mais de três décadas, se refere a Estrada griô e No muro - ópera hip-hop. O primeiro tem pré-lançamento para convidados nesta quinta no sala multi-uso do Espaço Cultural Renato Russo, o segundo entra em cartaz na sexta, na Sala Plínio Marcos, da Funarte. "Pelo menos, eles começam em dias diferentes. O problema mesmo são os ensaios gerais antes da estreia - temos que tentar conciliar os horários", continua o diretor.
Rap, canto lírico, dança de rua e tragédia grega são elementos que se misturam em No muro - ópera hip-hop. O projeto surgiu de um laboratório de dramaturgia lecionado por Marcus Mota. O aluno Plínio Perrú, que assina com o professor a dramaturgia musical do espetáculo, sugeriu o tema hip-hop. "Ele tem os contatos do pessoal do rap, do break, e os convidamos para participar", conta Marcus. No elenco da montagem estão, por exemplo, o grupo DF Zulu e o DJ Jamaika. O roteiro foi aprovado num edital da Eletrobrás, o que permitiu ao espetáculo sair do papel e o convite para Hugo Rodas dirigir a montagem.
"Foi um intercâmbio muito rico. Eu passei a semana inteira olhando aqueles meninos dançando, fazendo piruetas em cima da cabeça, uma coisa incrível", elogia o diretor. De acordo com Hugo, trabalhar com não atores (Perrú é o único ator em cena), mais que um desafio, é uma motivação: "Para mim, o que importa é o processo". Marcus Mota elogia o poder de Hugo de dar unidade a um trabalho com tantos elementos: "Como ele é músico, iluminador, cenógrafo... isso nos ajudou em todas as etapas. O Hugo também trabalhou no roteiro e com a estética do espetáculo, cores, texturas, movimentos e noção de espaço". No muro - ópera hip-hop fica em cartaz até 6 de dezembro.
Os griôs são os contadores de histórias africanos. Mas a proposta do espetáculo que leva o nome deste tradicional personagem é transcender seu significado. "Nos aventuramos em apresentar um griô de hoje, contemporâneo, mas sem deixar de lado os elementos da tradição", explica o intérprete João Negreiros, idealizador do espetáculo. O ator conseguiu viabilizar a montagem graças ao Prêmio Nacional Bolsa Funarte de Criação Artística - somente dois artistas do Centro-Oeste foram contemplados com o prêmio na última edição do edital e Negreiros é o representante de Brasília.
O texto de Estrada griô contém elementos das culturas indígena, afro e cristã. No palco, João Negreiros dança e interpreta - com base nas técnicas do método do Teatro do Movimento. "Convidei o Hugo justamente por ele transitar entre todas essas expressões", conta o ator. "Foi um prazer e um desafio trabalhar com ele. O Hugo é um furacão. Eu chegava nos ensaios com as minhas características, os meus vícios, e ele vinha e quebrava muita coisa. Eu trazia um texto todo comportadinho e ele dizia 'vamos abrir isso, vamos trazer coisas novas'. Todo dia era um surpresa. A maior dificuldade foi trazer a união das linguagens de maneira sucinta", relata Negreiros. "Foi uma parceria muito forte", avalia o diretor. "O João tinha uma ideia e eu ia encontrando novos pontos". Estrada griô faz curtíssima temporada, de sexta a domingo. Mas João Negreiros avisa que, em 2010, o espetáculo deve fazer turnê
NO MURO - ÓPERA HIP-HOP
De 27 a 6 de dezembro. Sexta, às 21h, e sábado, às 20h. Dias 2 e 3 de dezembro, às 20h, e dia 4, às 21h. Dias 5 e 6, sessões duplas, às 19h e às 21h. Entrada gratuita. Não recomendado para menores de 14 anos.
ESTRADA GRIÔ
Pré-estreia nesta quinta, às 21h, na Sala Multiuso do Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul). Sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 20h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Classificação indicativa livre.
Hoje e amanhã, no Teatro Calil Hadad, o Ballet Nara Dutra apresenta uma “fábula de amizades”. O espetáculo “Tinker Bell”, nova produção da companhia, tem a participação de 120 bailarinas e traz um personagem infantil clássico : Tinker Bell – o nome original da fada Sininho.
O espetáculo é uma coreografia coletiva idealizada por 14 bailarinos e traz, principalmente, balé clássico, mas também tem apresentações de dança de rua, dança aérea, tecido e trapézio, jazz, dança de salão, dança do ventre e dança contemporânea. A coordenação geral é de Nara Dutra.
Nara conta que este é o primeiro ano em que ela realiza uma coreografia conjunta com o grupo. “Eu venho de uma escola de dança que ensina somente a dançar e tive que aprender as coisas com o tempo. Percebi, com isso, que é preciso ter um envolvimento em todo o processo. Existe a responsabilidade de um líder, mas as alunas contribuem muito com as coreografias e o aprendizado se torna uma troca. O aluno vai aprendendo a fazer a coreografia, a se expressar e não expressar o meu desejo enquanto coreógrafa”, diz Nara.
“Tinker Bell” é inspirado na animação da Disney “Tinker Bell – Uma Aventura no Mundo das Fadas”, lançada em 2008, em que a fada Sininho começa a duvidar de seu talento como fada e precisa da ajuda das amigas para perceber seus verdadeiros talentos. “A mensagem principal é que nós sejamos verdadeiros conosco. Se temos um talento, devemos desenvolvê-lo”, explica.
O espetáculo terá a participação especial dos grupos de street dance Almas de Rua e Force Off e, no domingo durante a formatura de quatro bailarinas da academia, a participação de bailarinos do grupo masculino de Sérgio Oliveira e do grupo de dança de salão dos professores Fernando e Sabrina Mano.