Meia lua, parceria entre a francesa Cie. Malka e o grupo Arte e Rua, do Maranhão, defende em metáforas que não se deve esperar que as coisas caiam do céu
O coreógrafo Bouba Landrille Tchouda, nascido em Camarões e naturalizado francês, explica o que é o espetáculo Meia Lua, que tem bailarinos brasileiros e franceses. Meia Lua faz parte da programação do 14°Festival Internacional de Dança do Recife
Um hip hop que é capaz de fazer cair lágrimas, provocar alegria ou raiva. Bouba Landrille Tchouda, coreógrafo e bailarino nascido em Camarões, mas naturalizado francês, acredita que a dança que dá voz às periferias pode subir ao palco dos teatros e ainda emocionar. É uma coreografia assim que ele apresenta hoje, às 21h, no Teatro de Santa Isabel, na abertura do 14ºFestival Internacional de Dança do Recife. A programação de hoje no teatro é restrita a convidados. Oito bailarinos (Ricardo Venâncio, Rodolfo Espíndola, Rafael Brito, Vilson Silva, José Antônio Santos, Simhamed Benhalima, Aïda Boudrigua e o próprio Bouba Landrille), sendo cinco brasileiros e três franceses, encenam Meia lua, uma parceria entre a Cie. Malka e o grupo Arte e Rua, do Maranhão. "É uma metáfora. Quando você quer alguma coisa tem que agir, não esperar que caia do céu. Em qualquer lugar, circunstância, classe social, é possível atingir a lua", explica Tchouda, que fala portuguêscom sotaque.
![]() Abertura do Festival de Dança hoje traz coreografia que mistura hip hop, capoeira e contemporânea. Foto: Cie Malka/Divulgação |
O espetáculo, no entanto, trata mais do percurso para alcançar os objetivos, do que deles propriamente ditos. "O caminho que você vai fazer, as pessoas que vai encontrar. É o diálogo, é conseguir trocar uma ideia com uma pessoa de outra cor, credo, orientação sexual", complementa. Meia lua é o terceiro resultado coreográfico de um encontro de Bouba Landrille com a cultura brasileira. Há 13 anos, ele veio ao Brasil para estudar capoeira. Ficou dois anos em Salvador e depois seguiu de mochilão para conhecer o país. No Maranhão, se encantou com a dança dos b.boys. "Eles dançavam com verdade, paixão. A dança me reenergiza".
De lá para cá, quase todos os anos vem ao Brasil. Neste tempo, dois espetáculos foram montados: Quilombo (1998) e Malandragem (2005). Todos esses tinham bailarinos brasileiros no elenco, mas foram montados na França. Agora, praticamente todo o processo de construção da coreografia foi feito no Brasil e a estreia aconteceu em setembro, no Maranhão. Desde então, o espetáculo passou pelo Rio de Janeiro e por Salvador. Daqui, o grupo segue para a França para fazer turnê pela Europa.
Mas não vá ao teatro esperando encontrar o hip hop tradicional, a batalha dos b.boys. É muito mais. É uma mistura de hip hop, capoeira e dança contemporânea. Tchouda, inclusive, dançou no Centro Coreográfico Nacional de Grenoble. "Não é uma demonstração de hip hop. É mostrar que o mundo pode caber no palco, a mistura de culturas, raças e pensamentos". A direção musical é de Manuel Wandji, que trabalha muito com balés norte-americanos. Tem hip hop, mas tem também acordeom e violoncelo, por exemplo.
A partir desta visita a Pernambuco, o trabalho que o coreógrafo faz com o grupo Arte e rua no Maranhão pode ser trazido também para cá. Hoje, em frente ao teatro, a partir das 19h, será realizada uma roda de b.boys e b.girls. Já no sábado, às 15h, Tchouda vai conhecer os dançarinos pernambucanos num desafio de b.boys no Parque 13 de Maio.
A noite da última sexta-feira (07 de agosto) marcou a consolidação da ocupação da praça agora conhecida como Quilombo Cultural Lagoa Amarela. Mais de cem pessoas se fizeram presente para ver as apresentações de break, rap, dj e exposição de grafite. Raio X Nordeste, P.R.C., Q.I. Engatilhado e Gíria Vermelha celebraram a noite e empolgaram a todos e todas. Durante esse evento foi ressaltada a importância da resistência haitiana contra a força de ocupação liderada pelas tropas brasileiras e a ação exterminadora da polícia da Governadora Roseana Sarney nas periferias de São Luís para desviar a atenção dos maranhenses em relação a crise que envolve o velho Sarney no senado. Em relação a isso foi feito uma convocatória da CONLUTAS para o ato do dia 14 deste mês que tem como eixo central o “Fora Sarney”. Enquanto rolava as atividades políticas e culturais, a banca do Quilombo Urbano era constantemente visitada para compras dos CD’s do P.R.C e Gíria Vermelha, a Revista Hip Hop Militante, camisas, DVD’s com conteúdos politizados, bolsas, etc. Também foi distribuído o manifesto do MHM Quilombo Brasil “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia”. Essa atividade que estava marcada para terminar meia noite se estendeu até as 2 da madrugada, pois ninguém queria arredar o pé. Os militantes do Quilombo Urbano JB (Q.I. Engatilhado) e Preta Nicinha (Dialeto Preto) foram homenageado em função dos seus aniversários. Fica aqui o convite para a próxima sexta dia 14, RAIO X NORDESTE e RENEGADOS do SISTEMA e para o dia 28 de agosto quando acontecerá um o mini-festival de Hip Hop em solidariedade ao povo do Haiti.
A capital maranhense durante a década de 1990 foi palco para inúmeros confrontos entre gangues juvenis, que em vários momentos deixaram São Luís assustada. Confrontos esses que tinham como catalisador as pichações.
O Hip Hop desde o seu surgimento em 1968, nos Estados Unidos, até os dias atuais vem mantendo uma relação direta ou indireta com as gangues, sejam elas voltadas para a delinqüência juvenil ou não.
O Hip Hop chega a São Luís nos anos de 1980, porém de forma espontânea. No ano de 1989 surge o Movimento Hip Hop Organizado, que em 1992, recebe o nome de Quilombo Urbano.
O Hip Hop maranhense encontra na periferia da capital um habitat que permite a ele se expandir, por outro lado, no fim da década de 1980 surgem as primeiras gangues, que também tem como habitat a periferia.
Diante do que foi citado, o trabalho tem como objetivos identificar como se deu essa relação entre o Hip Hop e as gangues durante a década de 1990 a 2000. Este período foi fixado porque é a partir dessa década que o Hip Hop estará de fato organizado e também por ser a fase de maior efervescência de gangues e confrontos entre as mesmas. O outro objetivo é mostrar quais foram os resultados dessa relação.
Hoje são raras as pesquisas que abordam estes temas, o Hip Hop, que carrega o estigma de ser a voz da favela, e as gangues, que assim como o Hip Hop, está presente em praticamente todas as cidades médias e grandes.
METODOLOGIA:
A pesquisa surgiu de uma experiência pessoal, de uma fase da minha vida, quando participava de uma gangue. Como a história de vida, segundo Marconi e Lakatos (1986, p. 106), é uma técnica de pesquisa social que tenta obter dados relativos à "experiência íntima" de alguém que seja importante para o objeto de estudo e que a pessoa que fornece os dados tanto pode ser um observador quanto um participante do fenômeno social, a pesquisa se revestiu de forte caráter empírico, principalmente em seus primeiros momentos.
Tendo a havido a percepção do problema, passou-se, mais conscientemente, a uma observação participante, em que o observador toma contato com o grupo, se incorpora ao grupo que está estudando (Idem, p. 68).
Ao mesmo tempo em que isto acontecia, buscou-se realizar leituras acerca do tema, levantar fontes bibliográficas, livros, periódicos e paginas da internet que tratassem do assunto, preparando-se a fundamentação teórica da pesquisa.
Passou-se então à realização de entrevistas informais e, depois, de entrevistas formais, do tipo totalmente estruturada, isto é, "com questões previamente formuladas" (Barros e Lehfeld, 1986, p. 110). Preferiu-se este tipo de instrumento de coleta de dados exatamente por permite um relacionamento mais próximo entre entrevistado e pesquisador e, também, favorecer a observação das reações verbais e não verbais do entrevistado diante das questões que lhe são colocadas. A entrevista contou de (X) perguntas, todas elas do tipo aberta.
RESULTADOS:
No ano de 1993, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente divulgou um mapeamento das gangues em São Luís e constatou o que o Movimento Hip Hop já sabia, isto é, que as gangues são formadas principalmente por jovens cuja idade varia entre 14 e 25 anos, todos eles moradores de bairros periféricos. O Movimento Hip Hop vai mais além e afirma também que a maioria dos membros das gangues são negros carentes de todos os direitos básicos.
Em 1993, já existiam diversas gangues juvenis em São Luís. No entanto, a primeira gangue de pichadores a atuar em São Luís foi a Garotos Rebeldes. Ela reunia jovens de vários bairros da capital maranhense. Mas, no início da década de 1990, ela começa a fragmentar-se, dando origem a outras gangues. Com o surgimento de novas gangues, iniciam-se as disputas e a rivalidade, "evoluindo" assim até os confrontos diretos.
Somente a partir do ano de 1992 é que o Movimento Hip Hop Organizado Quilombo Urbano começa a desenvolver um projeto voltado especificamente para a questão das gangues, o projeto Ruas Alternativas. Até antes do projeto a relação do hip hop com as gangues era espontânea, isto porque o hip hop e as gangues estavam sempre próximos, na periferia ou na Praça Deodoro, onde acontecia a atividade Sexta Hip Hop.
O projeto alcançou resultados bastante positivos, pois o Quilombo Urbano começou a ser chamado pelas próprias gangues para apaziguar conflitos e, dessa relação, vários integrantes de gangues tornaram-se militantes do Quilombo Urbano.
CONCLUSÕES:
A relação do Movimento Hip Hop com as gangues no primeiro momento deu-se de forma espontânea e, num segundo, foi mais organizada, visto que o movimento se relacionava com as gangues através do projeto Ruas alternativa, que tinha como objetivo direcionar a rebeldia das gangues, pois a violência produzida por elas esta se refletindo contra eles. Isto é, os conflitos entre gangues não resolviam e não resolvem os problemas, só os aumentam. O inimigo da periferia não mora na periferia. O inimigo é outro.
Dessa relação, podemos afirmar que durante os anos de 1990 surgiram vários ativistas políticos de esquerda que tiveram seu primeiro contato com a teoria marxista ainda quando estavam envolvidos com as gangues. Hoje esses ativistas militam no próprio Quilombo Urbano ou em partidos de esquerda.
Outros, depois de terem contato com o Movimento Hip Hop, abandonaram as gangues e há ainda quem não saiu, mas tem um respeito muito grande pelo Hip Hop, fato este que pôde ser comprovado no sétimo festival de hip hop que aconteceu na Praça Maria Aragão, onde estavam presentes membros de várias gangues rivais, não ocorrendo nenhum incidente.
Trabalho de Iniciação Científica
Palavras-chave: HIP HOP; GANGUES; PERIFERIA.
Talvez nem seja a intenção, mas o 27º Festival de Dança de Joinville põe lenha na fogueira de uma discussão antiga entre os críticos de arte: o que é popular e o que é erudito? Onde acaba um e termina o outro? Enquanto os especialistas debatem – muitas questões não têm resposta unânime – , o público procura o que é do seu gosto. Há quem lamente nunca ter visto dançar a bailarina clássica Ekaterina Maximova, do Teatro Bolshoi de Moscou. E os passos de rua a la James Brown também têm seus fãs.
Polêmicas à parte, são esses gregos e troianos que o festival pretende reunir no Centreventos Cau Hansen a partir de hoje. Os passos disciplinados e seculares do balé clássico terão tanto espaço quanto o ritmo de calças largas da dança de rua. No meio disso, um público rotativo que, se for repleto, deve ultrapassar mais de 53 mil espectadores, o número de ingressos postos à venda, sem contar os visitantes que percorrem apresentações em shoppings, praças e pontos culturais da cidade. Nos onze dias de
espetáculo, a
dança de rua terá muitas chances de mostrar por que hoje atrai um dos públicos mais numerosos deste evento. A novidade será a participação do street dance numa noite nobre do evento, a de abertura. Uma das mais procuradas do festival, a abertura terá hoje, pela primeira vez entre as atrações, companhias que focam suas bases na dança de rua, hip hop e outras referências urbanas.
Com dez anos de estudos, a paulistana Discípulos do Ritmo já rodou o mundo com o espetáculo de luzes e ritmo “Geometronomics”, criado pelo alemão Niels “Storm” Robitzky, e que abre o festival. A S’poart, companhia francesa de hip hop criada em meados da década de 90, fecha a noite de abertura com “In Vivo”. Sobre o palco, a dança de rua também está entre os estilos mais concorridos: em dois dias de competição, 40 grupos estão inscritos.
Outra proposta do festival, o Encontro das Ruas (uma série de batalhas entre dançarinos, cantores e artistas do universo hip hop) segue firme este ano, com mais
opções de estilos para os
participantes. É uma das atividades que vai levar a dança ao ar livre e sem fronteiras. Uma das etapas de inscrição dos grupos foi a postagem de um vídeo no site Youtube, em um canal criado especialmente para o Festival de Dança. A dança contemporânea, que conquistou espaço nas últimas edições, tem um espaço especial para as apresentações. A Mostra Contemporânea de Dança tem na lista nove companhias convidadas, que revelam um cenário que percorrei op Brasil de Norte a Sul.
Para contrapor tanta força urbana, a Noite de Gala, no dia 20, se rende à beleza sem retoques da dança clássica. A novíssima São Paulo Companhia de Dança apresenta duas coreografias importantes no repertório do balé moderno: “Les Noces”, da russa Bronislava Nijinska, e “Serenade”, de George Balanchine, bailarino russo naturalizado americano. Os dois espetáculos estrearam este ano. A dança clássica também será foco dos debates com expectativa de serem os mais acalorados nos seminários sobre a educação da dança. Quem pode
ensinar
balé, e como atuam, afinal, as franquias de famosas escolas, são duas perguntas que serão lançadas aos que se preocupam em pôr as indefinições da dança sobre a mesa. E, talvez, sobre o palco.
Os passos se reinventam, e a dança de rua ganha status em palcos contemporâneos e em novas leituras. Nunca a dança absorveu tanto a estética urbana quanto nos dias de hoje.
No fim do mês de maio, Bruno Beltrão e o Grupo de Rua de Niterói apresentaram “H3”, o mais novo espetáculo da companhia, na Sadler’s Well, em Londres. A casa é um endereço de referência mundial de espetáculos de dança para grandes plateias. Antes de chegar lá, o coreógrafo e bailarino brasileiro fez muitas apresentações em outros palcos. Ele e os outros nove integrantes de seu grupo representam hoje o exemplo mais bem acabado da evolução de um trabalho de rua para a linguagem da dança contemporânea.
Em 2003, quando esteve no Festival de Joinville pela primeira vez com o espetáculo “Eu e Meu Coreógrafo no 63”, Beltrão ensaiava uma carreira internacional, hoje respeitada pelo coreógrafo francês Jeróme Bell, o americano William Forsythe, do Ballet de Frankfurt, e Anne Teresa De Keersmaeker, da companhia belga Rosas. Todos esses são nomes referenciais da atual cena coreográfica mundial. Todos eles aplaudem corpos que evoluíram do hip hop para outras manifestações da dança contemporânea. A
dilatação
destes limites e o hibridismo que os novos bailados possibilitam aos corpos que dançam são, hoje, duas referências fundamentais das transformações que a dança vem mostrando.
“As informações estão no mundo, elas se cruzam. Não podemos estabelecer uma explicação só para este tipo de acontecimento. Teríamos também que achar uma definição específica para dança contemporânea, que não tem uma cara única, é plural, se alimenta de várias manifestações”, diz a crítica de dança Silvia Sotter, que já integrou o conselho curador do festival e foi professora de Beltrão na UniverCidade, no Rio, onde ele começou a descobrir outros caminhos para o seu hip hop.
É com este novo status artístico que a dança de rua é a atração da Noite de Abertura do festival. Estarão no palco duas apropriações artísticas diferentes para este fenômeno que tem sido um dos vetores de renovação dos conceitos da contemporaneidade na dança. A companhia francesa S’Poart apresenta o espetáculo “In Vivo”, no qual
os bailarinos exploram
diferentes níveis do corpo em ângulos coreográficos inesperados. Os brasileiros da Discípulos do Ritmo trazem “Geometronomics”, que baila sobre as formas geométricas em evoluções recheadas de locking, popping e o hip hop dos b.boys. Sim, estas figuras que há quatro anos foram aceitas oficialmente pela primeira vez no maior festival de dança do mundo viraram mais do que só frequentadores do Encontro das Ruas. Atualmente, eles são um dos grandes inje-tores do novo na dança. A tal cultura urbana, com seus personagens totalmente freestyle, seus grafites e seus MCs vem dando novo beat ao balé.
“Há algum tempo a dança de rua entrou no festival, dando uma renovada, abrindo novos caminhos. Ela invade outros espaços da cultura urbana, mesmo arte comercial, colocando o grafite na galeria, por exemplo”, diz Victor Aronis, diretor executivo do festival e um entusiasta do Encontro das Ruas.
Essa reinvenção do jeito contemporâneo de dançar faz duo com as transformações da sociedade.
O alternativo aciona uma
inversão de papéis, transformando-se em mainstream.
“Isso é um processo histórico. Quando surgiram, o jazz e o blues eram do gueto, tornando-se depois algo até elitizado. Não digo que vai ser assim com cultura urbana, que ela vai se tornar elitizada. Mas há uma evolução do respeito a ela. Já nas décadas de 70 e 80 Basquiat e Keith Harring estavam nas galerias”, diz o grafiteiro gaúcho Trampo, referência nacional e interna- cional da street art e membro do conselho artístico do Encontro das Ruas.
A noite que dá início ao Festival de Dança, contará com a presença de duas companhias de dança de rua, a brasileira Discípulos do Ritmo e a francesa S’poart. É uma novidade ter esta categoria na abertura do Festival. Como o próprio nome diz, este gênero popular faz a dança nascer em todos, ser sentido por todos e esgotar rapidamente a bilheteria. É a democratização da dança!
Vale a pena conferir o Encontro das Ruas que acontecerá nos dias 18 e 19 de julho a partir das 13h no Colégio Estadual Germano Timmm. A coreografia é: Dance sem parar, solte o ritmo que há dentro de você!
Entrevista: Frank Ejara, coreógrafo e dançarino
Frank Ejara, paulista de 36 anos, é coreógrafo e fundador da companhia paulista de dança de rua Discípulos do Ritmo. Além da abertura, ele estará nesta edição do festival para participar como jurado do Encontro das Ruas, que será nos dias 18 e 19 de julho, na Escola Estadual Germano Timm. Nesta entrevista ele conta quais são suas influências.
Diário Catarinense – O que influencia o teu trabalho como coreógrafo? Quem são as pessoas (ídolos, etc), lá na sua infância, que até hoje são fortes para você?
Frank Ejara – No Geo trabalhei como coreógrafo e na direção de cena junto ao Storm. Mas eu, como coreógrafo, posso dizer que tudo pode me influenciar. Cinema, música, meu cotidiano, enfim, tudo que me rodeia. Meus ídolos na dança são, primeiramente minha mãe, depois Popin Pete, Popin Taco, Ken Swift e Greg Campbellock Jr. Esses dançarinos têm forte influência no meu trabalho de dançarino e coreógrafo. Minha mãe (Gesunilda, conhecida por Gê) nunca
foi profissional, mas foi ela quem
me ensinou os primeiros passos no final dos anos 1970, na era disco funk. Chegamos a ganhar competições de dança na época.
DC – O que você tem explorado de novidade na dança de rua recentemente?
Ejara – Acho que pouca coisa foi feita nas danças urbanas no âmbito profissional. Na área de criação de espetáculos. Então, estou nessa busca. Criando novas formas de contar boas histórias e trazer novos olhares para nosso estilo de dança. As possibilidades são infinitas, ainda mais se pensarmos que pouco foi feito.
DC – No Brasil, o hip hop ainda está longe da profissionalização?
Ejara – Sim. Não há referências. Tudo no street dance gira em torno de competições. E a nova geração, quando pensa em viver da dança, só vê uma saída... Dar aulas... E esse é o maior problema da nossa área. Temos pessoas muito jovens, despreparadas e sem experiência na sala de aula apenas pelo fato de querer
viver da dança. Desconhecem o trabalho cênico, não conhecem outra forma
de ganhar dinheiro com a dança.
DC – Qual o problema de as academias de dança serem hoje a principal formação do dançarino de hip hop no Brasil?
Ejara – As academias não criam profissionais de street dance. Não chega a profissionalizar ninguém, pois o resultado e busca final das academias são os prêmios em competições. Não preparam um street dancer pro mercado dos teatros. Não ensinam como montar um projeto, buscar recursos, como criar um espetáculo, como usar o vocabulário de nossa dança em torno de um conceito, não apenas em torno da performance na maioria das vezes datadas em tempo de criação para competição.
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Confira a programação completa do
27 Festival de Dança de Joinville
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Michael Jackson, considerado o Rei do Pop, morreu na tarde desta quinta-feira (25) após sofrer parada cardíaca e ser levado às pressas para o hospital UCLA Medical Center, em Los Angeles. O cantor de 50 anos não estava respirando quando os paramédicos chegaram à sua casa e deu entrada no hospital em estado de coma.
Cobertura completa: Jackson morre
A morte de Jackson foi confirmada pelo porta-voz do Instituto Médico Legal de Los Angeles, Fred Corral, em entrevista à rede de TV CNN pouco antes das 20h30, horário de Brasília.
Ouça clássicos de Michael Jackson no especial Globo Rádio
"Posso dizer neste momento que fomos informados por investigadores do Departamento de Polícia de Los Angeles Oeste que Jackson foi levado (...) para o hospital. Ao dar entrada, estava sem os sinais vitais e foi declarado morto por volta das 14h26 esta tarde [18h26, horário de Brasília]", declarou Corral à CNN.
Antes, o site do jornal "New York Times" publicou que uma autoridade da cidade de Los Angeles "afirmou que ele morreu à 1h07 PM, horário do Pacífico [17h07, Brasília]".
Segundo o porta-voz do IML, uma autópsia "provavelmente" será realizada na sexta-feira. Ele preferiu não especular sobre a causa da morte, que será investigada pela polícia de Los Angeles.
Foto: Reuters/Mario Anzuoni Fãs de Michael Jackson choram na porta de hospital (Foto: Reuters/Mario Anzuoni ) "As coisas ainda estão acontecendo. Estamos nos comunicando com o hospital para transportar Jackson para nossas instalações, onde ele será examinado para determinarmos a causa da morte", acrescentou. "Até onde eu sei, fomos informados por investigadores da polícia de Los Angeles que Jackson foi levado pelos paramédicos para o hospital com uma parada cardíaca severa, e que depois foi declarado morto".
A rede de televisão Fox News afirmou que uma entrevista coletiva será realizada em breve no hospital.
Em declaração pública no hospital a que Michael Jackson foi levado, em Los Angeles, o irmão do cantor Jermaine Jackson, disse que uma equipe de médicos do Centro Médico UCLA passou uma hora tentando ressucitar o rei do pop.
Jermaine confirmou que os bombeiros encontraram Jackson com uma parada cardíaca, mas disse que ainda não se sabe o que causou isso. "A causa da sua morte só vai ser determinada após uma autópsia", disse. "Nossa família pede que a mídia respeite nossa privacidade ness momento difícil."
Michael Jackson (embaixo, à direita), e os irmãos Marlon,Tito, Jackie e Jermanie. (Foto: AP) Carreira
O porta-voz do corpo de bombeiros de Los Angeles, Devin Gales, disse que os paramédicos atenderam a um chamado feito no endereço do cantor às 12h21 locais.
Procurado pelo site especializado em celebridades "E! Online", o pai do astro, Joe Jackson, disse que ele teve uma parada cardíaca. "Ele não está bem", afirmou. "A mãe dele está indo para o hospital neste momento para vê-lo. Não tenho certeza do que aconteceu. Estou esperando uma resposta deles."
O cantor Michael Jackson, em foto de março passado, durante conferência de imprensa na qual anunciou a série de shows que faria em Londres neste ano (Foto: Reuters/Stefan Wermuth)
Tentativa de retorno
Michael Jackson, que completou 50 anos em agosto de 2008, anunciou em maio o adiamento de alguns dos shows de uma extensa temporada que ele faria em Londres neste ano. A noite de abertura na O2 Arena, marcada inicialmente para o dia 8 de julho, foi remarcada para o dia 13 do mesmo mês, segundo os produtores. Além disso, algumas apresentações foram transferidas para 2010. O adiamento das datas aumentou as especulações de que Jackson estaria sofrendo de problemas de saúde.
Em declarações à CNN, Brian Oxman, advogado e amigo da família, explicou que Michael, enquanto se preparava para o show que tinha previsto fazer no próximo dia 13 em Londres, tomava remédios para tratar de lesões em uma vértebra e em uma perna depois de uma queda no palco. Ele disse que alertou as pessoas próximas ao cantor para as possíveis consequências da medicação, que inclusive representou um obstáculo para os ensaios.
Michael Jackson nasceu em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana, o sétimo de nove irmãos. Cinco dos irmãos Jackson - Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael - apresentaram-se juntos pela primeira vez num programa de calouros quando Michael tinha 6 anos. Eles levaram o primeiro prêmio. O grupo mais tarde se tornou o The Jackson Five, e, quando assinou contrato com a gravadora Motown Records, no final dos anos 1960, passou por uma metamorfose final, tornando-se The Jackson 5. Pelo mesmo selo, Michael lançou seu primeiro álbum solo em 1972, "Got to be there".
De lá até a 2001, o cantor gravou outros oito álbuns solo, incluindo "Off the wall" (1979), produzido pelo lendário Quincy Jones, e "Thriller" (1982), que ficou 37 semanas consecutivas no primeiro lugar das paradas, com cerca de 60 milhões de cópias vendidas no mundo.
"Thriller" - que ganhou uma reedição comemorativa em 2008 - é uma das principais responsáveis por imortalizar pérolas pop como “Billy Jean” e “Beat it”. Ao todo, sete canções chegaram ao topo das paradas de sucesso nos Estados Unidos. O álbum deu origem ainda a um dos clipes mais cultuados desta era. Dirigido por John Landis, o vídeo da faixa-título mostra o astro pop se transformando em zumbi e traz a risada sinistra de Vincent Price, que assombrou muitos adolescentes no início dos anos 80.
Outros álbuns incluem "Bad" (1987), "Dangerous (1991) e "Invincible" (2001). No total, segundo cifras divulgadas nos Estados Unidos, Michael Jackson vendeu 750 milhões de discos.
Polêmicas
Michael Jackson e Lisa Marie se beijam, na época em que estavam casados (Foto: AP)
Em 1994 Jackson se casou com a filha única de Elvis Presley, Lisa Marie, mas o casamento terminou em divórcio em 1996. Nesta quinta, a filha de Elvis disse que a morte do ex-marido a deixou de 'coração partido'.
No mesmo ano Jackson se casou com Debbie Marie Rowe e eles tiveram dois filhos antes de se separarem em 1999. Eles nunca viveram juntos.
Jackson teve três filhos: Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II, este último conhecido por um momento público breve em que seu pai o segurou para fora da sacada de um hotel.
Entre as muitas polêmicas e escândalos protagonizadas por Michael Jackson, a mais significativa aconteceu em 2005, quando o cantor foi a julgamento após ser acusado de pedofilia e absolvido.
Sobre sua fisionomia, que mudou significativamente desde que ficou ficou mundialmente conhecido, Michael admitiu fez duas cirurgias no nariz e uma para ficar com uma covinha no queixo, segundo a autobiografia "Moonwalk" (1988). Já sobre a mudança na cor da pele, o cantor atribuiu-a à doença conhecida como vitiligo, que causa despigmentação.
Foto: Wilson Besnosik/Agência A Tarde/AE
Michael Jackson durante gravação de videoclipe, no Pelourinho, na Bahia, em 1996 (Foto: Wilson Besnosik/Agência A Tarde/AE)
Visita ao Brasil
Michael Jackson esteve no Brasil em 1993 durante a turnê do álbum "Dangerous". O astro se apresentou para 65 mil pessoas no estádio do Morumbi, em São Paulo, em um show programado para durar 2h20, mas que foi encerrado pouco antes de duas horas de apresentação. Contrariando as expectativas, ele não retornou ao palco para o bis. Alguns anos mais tarde, o cantor retornou ao país para gravar o clipe de "They don't care about us", música incluída no álbum "HIStory: Past, present and future – Book I". O vídeo foi rodado no morro da Dona Marta, no Rio de Janeiro, e no Pelourinho, em Salvador. O grupo baiano Olodum fez uma participação. Procurado pelo G1, o presidente do Olodum lamentou a morte de Michael Jackson.

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A luta pela inclusão social e pela cidadania é diária entre os jovens das periferias de todo o país e no Maranhão não é diferente. Saúde, educação, esporte, lazer e cultura são direitos que, para a grande maioria da população, se tornam luxo, ante a necessidade pela sobrevivência. Cansados deste quadro ridículo que toma conta de todo o país, jovens de diversas favelas do Rio de Janeiro uniram-se e, em 1999, fundaram a Central Única das Favelas (Cufa), uma organização reconhecida internacionalmente e que funciona como um pólo de produção cultural e de distribuição de oportunidades para jovens das favelas e periferias de 19 estados brasileiros.Mas enquanto isso você pode ir vendo do que esse cara é capaz!!!

Em uma reportagem especial sobre o break, a revista Época abordou há um mês a rotina do B.boy Pelezinho quando da sua participação no campeonato Red Bull BC One. Na reportagem, a vida de Pelezinho é retrada e sua trajetória no break é mostrada.
Aos 13 anos o b.boy começou a ensaiar seus primeiros passos. Inicialmente pretendia ser jogador de futebol, mas ao ter contato com os passos de dança se identificou e foi de encontro aos seus objetivos. Hoje aos 26 anos Pelezinho ganha a vida dançando break e já percorreu países como México, Portugal, Coréia, Colômbia, África do Sul, Austrália, Inglaterra e Alemanha.
Sua carreira como profissional da dança tornou-se possível com a ajuda dos grafiteiros "Os Gêmeos", que passaram a convidar Pelezinho para participar de competições, pois perceberam seu talento. "O Pelé dança com a filosofia de superar os gringos, fazendo diferente e melhor", diz Gustavo Pandolfo.
Pelezinho também já deu aulas de breakdance para meninos da Febem e garante que o resultado foi surpreendente. "Aprendi ali que a rua tem coisas ruins e boas. Eles me falavam das ruins, eu tentava ensinar uma das boas:
a dança", ele diz. "Veja bem: se eu rapar a cabeça, colocar Havaianas, bermuda bege e camiseta branca, sou igual a qualquer um deles lá dentro. Só que escolhi outra vida pra mim. Já imaginou se eles também tiverem uma chance de escolher?".