Grafite, a arte que vem das ruas
A Arte é uma expressão pessoal (e metamórfica também), que a cada dia vem sendo modificada por artistas de diversas partes do planeta.
Há poucos dias, assistindo a um programa de TV, tive o prazer de conhecer mais um pouco do grafite e com ele uma novidade, o grafite 3D, que são técnicas muito utilizadas nas ruas das grandes cidades. Segundo relato dos participantes da atração (dois grafiteiros profissionais), o 3D principalmente, surpreende muitas pessoas pelo seu formato diferenciado, que mostra imagens estáticas e ao menos tempo tridimensionais, fazendo com que pareçam reais.
No palco do programa, foi feita uma exibição para que os telespectadores conhecessem e entendessem um pouco mais deste estilo. O objetivo dos designers era o de dar forma a um desenho simples, que foi uma xícara de café. Os traços eram de tanta perfeição que passavam a impressão de que o líquido do recipiente estava mesmo exalando calor. Estas imagens por mais lindas que possam parecer, demoraram um pouco para serem vistas com “outros olhos”.
O grafite nasceu em Nova York, criada por gangues na década de 1970, arte deixada como sinais de comunicação em muros. Os símbolos, eram entendidos somente por jovens revolucionários que habitavam na periferia da grande cidade. Por conta disso criou-se um clichê por moradores de bairros nobres da metrópole, eles alegavam que o grafite é uma manifestação insurreta, pois elas sempre eram feitas na calada da noite e muitas vezes os principais alvos eram prédios públicos.
As diferentes formas eram gravadas nestes lugares, como focos de manifestação, pois os menos favorecidos se sentiam excluídos do restante da sociedade.
Algum tempo depois, o que eram apenas sinais (muito parecidos com símbolos usados nas cavernas paleolíticas e também no antigo Egito), evoluíram e se transformaram em técnicas elaboradas contendo mais curvas e imagens de cores personalizadas.
Essas mudanças fizeram com que o grafite se identificasse com diversas áreas expressivas do mundo artístico, mas foi o skate e o movimento hip hop ou street dance (dança de rua), que esta Arte se popularizou, pois retratam um estilo livre e despojado que certas vezes refletem a realidade de moradores do subúrbios de grandes cidades.
No Brasil, o grafite chegou pouco tempo depois, em meados de 1970, a Arte se espalhou rapidamente e foi na cidade de São Paulo que seus traços foram mais “nacionalizados” e, de certa forma, incrementados por artistas de rua, que ao perceberem a chegada de uma Arte “simples” aderiram ao seu próprio estilo, criando traços mais arrojados. Hoje o grafite do Brasil é famoso por ser um dos melhores do mundo.
A exemplo de outras localidades, em São José do Rio Pardo o grafite também começou por meio de manifestações de jovens. Com o tempo, foi se tornando mais freqüente a visão de inscrições no cenário rio-pardense. Muitas eram feitas possivelmente por grupos de skatistas rivais, que desenhavam seus símbolos em propriedades particulares, “demarcando território”.
Isso também gerou por aqui a impressão de que o grafite é uma Arte criminosa. Para tentar quebrar este estereótipo, foi destinado na Área de Lazer um espaço para estes trabalhos em grafite e também para que os praticantes deste skate pudessem ter um ponto de encontro apropriado e que também fizessem seus desenhos ali e não mais em outros lugares do município.
As turmas de grafiteiros são conhecidas como Crews, e entre um desses grupos, se destaca o formado por Kurt Wenner, Eduardo Rolero e Tracy Lee, pois os três começaram a desenvolver novos jeitos para as suas técnicas. E depois de anos de evolução os grafiteiros surpreenderam apresentando para o mundo o grafite 3D, uma maneira de misturar o domínio das habilidades já existentes, com estilos renascentistas que mesclam o surrealismo com imagens do cotidiano. O grafitado revolucionou paisagens americanas, chamando a atenção de pedestres e mostrando definitivamente que o grafite é uma Arte.
No Brasil, o 3D vem adquirindo seu espaço. A técnica é apresentada com freqüência em programas de TV, como o “Manos e Minas”, da Rede Cultura, exibida aos sábados, e há poucos dias no “Superpop” da Rede TV!. Esta forma de expressão invadiu as ruas e conquistou a admiração dos habitantes das principais cidades brasileiras.
Além de mostrarem a suas habilidades, os grafiteiros são reconhecidos hoje como profissionais, uma vitória depois de tantos anos ostentando a fama de pixadores. O rótulo foi amortecido pela própria sociedade que se encantou pelos trabalhos e reconheceu o que é ser um grafiteiro.
Depois de assistir ao programa de TV interessei-me mais pelo assunto e passei a prestar mais atenção nestes artistas que ilustram desde túneis, muros, redes de esgoto a áreas de difícil acesso, como topo de torres, e prédios. Alguns praticam trabalhos sociais, fazendo do grafite uma forma de conhecimento e crescimento para crianças carentes.
Definitivamente a Arte que veio das ruas se tornou única e grandiosa, existem até concursos que podem ser vistos pelo mundo todo. Estas imagens que parecem reais são impossíveis de não serem percebidas, pois elas mudam completamente o cenário metropolitano e são capazes de impressionar a todos, não só os amantes da arte convencional.




