Nada é de Graça
Meia lua, parceria entre a francesa Cie. Malka e o grupo Arte e Rua, do Maranhão, defende em metáforas que não se deve esperar que as coisas caiam do céu
Pollyanna Diniz
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O coreógrafo Bouba Landrille Tchouda, nascido em Camarões e naturalizado francês, explica o que é o espetáculo Meia Lua, que tem bailarinos brasileiros e franceses. Meia Lua faz parte da programação do 14°Festival Internacional de Dança do Recife
Um hip hop que é capaz de fazer cair lágrimas, provocar alegria ou raiva. Bouba Landrille Tchouda, coreógrafo e bailarino nascido em Camarões, mas naturalizado francês, acredita que a dança que dá voz às periferias pode subir ao palco dos teatros e ainda emocionar. É uma coreografia assim que ele apresenta hoje, às 21h, no Teatro de Santa Isabel, na abertura do 14ºFestival Internacional de Dança do Recife. A programação de hoje no teatro é restrita a convidados. Oito bailarinos (Ricardo Venâncio, Rodolfo Espíndola, Rafael Brito, Vilson Silva, José Antônio Santos, Simhamed Benhalima, Aïda Boudrigua e o próprio Bouba Landrille), sendo cinco brasileiros e três franceses, encenam Meia lua, uma parceria entre a Cie. Malka e o grupo Arte e Rua, do Maranhão. "É uma metáfora. Quando você quer alguma coisa tem que agir, não esperar que caia do céu. Em qualquer lugar, circunstância, classe social, é possível atingir a lua", explica Tchouda, que fala portuguêscom sotaque.
![]() Abertura do Festival de Dança hoje traz coreografia que mistura hip hop, capoeira e contemporânea. Foto: Cie Malka/Divulgação |
O espetáculo, no entanto, trata mais do percurso para alcançar os objetivos, do que deles propriamente ditos. "O caminho que você vai fazer, as pessoas que vai encontrar. É o diálogo, é conseguir trocar uma ideia com uma pessoa de outra cor, credo, orientação sexual", complementa. Meia lua é o terceiro resultado coreográfico de um encontro de Bouba Landrille com a cultura brasileira. Há 13 anos, ele veio ao Brasil para estudar capoeira. Ficou dois anos em Salvador e depois seguiu de mochilão para conhecer o país. No Maranhão, se encantou com a dança dos b.boys. "Eles dançavam com verdade, paixão. A dança me reenergiza".
De lá para cá, quase todos os anos vem ao Brasil. Neste tempo, dois espetáculos foram montados: Quilombo (1998) e Malandragem (2005). Todos esses tinham bailarinos brasileiros no elenco, mas foram montados na França. Agora, praticamente todo o processo de construção da coreografia foi feito no Brasil e a estreia aconteceu em setembro, no Maranhão. Desde então, o espetáculo passou pelo Rio de Janeiro e por Salvador. Daqui, o grupo segue para a França para fazer turnê pela Europa.
Mas não vá ao teatro esperando encontrar o hip hop tradicional, a batalha dos b.boys. É muito mais. É uma mistura de hip hop, capoeira e dança contemporânea. Tchouda, inclusive, dançou no Centro Coreográfico Nacional de Grenoble. "Não é uma demonstração de hip hop. É mostrar que o mundo pode caber no palco, a mistura de culturas, raças e pensamentos". A direção musical é de Manuel Wandji, que trabalha muito com balés norte-americanos. Tem hip hop, mas tem também acordeom e violoncelo, por exemplo.
A partir desta visita a Pernambuco, o trabalho que o coreógrafo faz com o grupo Arte e rua no Maranhão pode ser trazido também para cá. Hoje, em frente ao teatro, a partir das 19h, será realizada uma roda de b.boys e b.girls. Já no sábado, às 15h, Tchouda vai conhecer os dançarinos pernambucanos num desafio de b.boys no Parque 13 de Maio.





