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IV Encontro de Cultura de Rua

IV Encontro de Cultura de RuaÀ margem do clássico sistema de concepção artística, no qual “cubos brancos” legitimam o estatuto de uma obra, um movimento cresce e nunca esteve tão em voga: a arte de rua – também chamada de arte urbana. Ela não é de hoje, mas demorou a sair da zona conceitual do “vandalismo” até ganhar novas acepções. Até mesmo a legitimação dada pelos “cubos brancos” foi caindo por terra nesses últimos anos. Nos anos de 2000, importantes museus e galerias deixaram de torcer o nariz para os famosos grafites (muitas vezes confundidos com pichação), que só eram vistos em muros pela cidade, e o espaço concedido para esta e outras formas de arte urbana foi sendo assimilado. No mês passado, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) abriu uma exposição dedicada somente para a arte de rua e o museu britânico Tate Modern teve a fachada pintada pelos gêmeos de São Paulo, Otávio e Gustavo Pandolfo, para a exposição “Street Art”.


A ideia do encontro é promover a união dos grupos e mostrar diferentes formas de arte à sociedade.


Assim como nas artes visuais, outras linguagens artísticas originadas na rua, como o movimento Hip Hop, o Street Dance, o Rap, e outras que tomaram espaços públicos mais recentemente, como a arte circense, foram sendo reconhecidas. O Hip Hop, por exemplo – que passou muitos anos escondido em guetos e favelas, sendo considerado um movimento exclusivamente de negros –, saiu do subúrbio, conquistou brancos e se estruturou como um movimento social organizado. O Rap também agrega boa parte das reivindicações contra o preconceito racial. Com letras de denúncia social, MV Bill é hoje um dos principais nomes do Rap no Brasil.


Até mesmo esportes antes incomuns, como o skate e a patinação, ganharam seus espaços. Mas o que todos esses movimentos e linguagens têm em comum, além de terem sido originados nas ruas? A luta pelas causas sociais e políticas, que com muita criatividade, são temas de boa parte da produção contemporânea das letras rimadas, das intervenções urbanas, das performances em espaços públicos. E é com essa temática que acontece em Belém o IV Encontro de Cultura de Rua, realizado por entidades de cultura de rua, como o Estação Belém Hip Hop, que encerra hoje na Praça Dom Vilas Boas (Praça do Marex). A programação conta com Jam session de skate, In-line, BMX, batalha de MC’s e B.boys, além de apresentação cultural dos grupos Revolução Norte, Experimento Norte, Opção Verídica, Day fop, de Marituba.


A ideia de reunir os grafiteiros, os skatistas, os malabaristas, os rappers, etc, foi concebida com a proposta de apresentar à sociedade uma nova cara para essas entidades, com mostra da produção cultural de cada uma. “Queríamos reunir as entidades que não são muito próximas, que ainda estão afastadas em seus guetos, e para unir a juventude. Foi a forma que a gente encontrou para se manifestar. Quando o encontro surgiu, em 1998, reunia só os grafiteiros, mas com o tempo foi juntando com o Hip Hop, com o skate, e ficou essa miscelânea. Esse encontro serve também para a gente se unir, se conhecer”, diz Alexandre Blanco, organizador do encontro.



Diferente do que acontece em São Paulo, em Belém ainda não existe uma organização sólida desses movimentos nem uma cultura que compreenda os participantes como profissionais. Segundo Alexandre, ainda falta também a compreensão do poder público sobre as manifestações culturais que vêm das ruas. “A gente quer mostrar o trabalho de rua como um trabalho profissional. Os malabaristas, por exemplo, que estão nas ruas e são cheira colas já é outra situação, é um problema social”, diz. “A gente quer mais espaço, profissionalizar nossas ações, tirar essa ideia de que quem trabalha na rua é pedinte”, completa.



SERVIÇO

Encerramento do IV Encontro de Cultura de Rua, hoje, a partir das 16h, na Praça Dom Vilas Boas (Praça do Marex). Informações: 8858 1781 e 8104 8793.

PROGRAMAÇÃO



16h - Jam session de skate, In-line, BMX (inscrição R$ 5);

19h - Batalha de MC e B.boys;



20h - Apresentação dos grupos Revolução Norte, Experimento Norte, Opção Verídica, Day fop – Marituba. (Diário do Pará)

Posted by Klaylton Fernando on 15:11. Filed under , , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0

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